Driblaram o Mota e o Sul
A eleição de Leonel Pavan (PSDB) à vice-presidência da Assembleia Legislativa, ontem, vem com alguns recados, mas o principal deles é que rifaram Manoel Mota (MDB). Ele contava a possibilidade de encerrar a carreira presidente. Isso aconteceria em respeito aos seus cabelos brancos (disfarçados é verdade) e aos fios de bigode do respeito que a casa tem por ele. O plano era que ele seria eleito vice-presidente agora, e nos últimos dias do ano um gesto de renúncia do atual presidente Silvio Deveck (PP), permitiria Mota pendurar as chuteiras sentado a ponta da mesa. Puxaram a cadeira do Mota. Este é o sentimento que ficou para o Sul. De resto pode se considerar que o PSDB era o partido que perdeu sua vaga na Mesa Diretora quando Mário Marcondes saiu do PSDB e foi para o MDB levando consigo a vaga. Mas o MDB perdeu a vaga de presidente com a morte de Aldo Schneider. Assim, a opção Mota seria uma dupla homenagem.
LEITURA
Debito na conta d fragilidade política que o sul adquiriu com seus últimos movimentos a derrota imposta ao deputado Manoel Mota, ontem. Aliás, derrota sim. Não me venha com essa balela de abrir mão. A linha tucana que tem conduzido a liderança do partido é de enorme força, inclusive a ponto de ter influenciado na decisão de ontem.
PT NÃO QUIS
Maior articulador da Assembleia Legislativa no momento, Gelson Merísio (PSD), teria proposto ao PT a cadeira de vice-presidente da Assembleia Legislativa. Seria para o deputado Neodi Saretta. Acontece que isso abriria uma dívida do PT com Merísio que é provável candidato a governador no segundo turno. Risco calculado os petistas declinaram.
BOM SENSO
Mota ficou pequeno para brigar no MDB, apesar dos seus 30 anos de política. Ele andou destoando das notas da regência de Eduardo Moreira e terá que se conformar em aposentar-se assim como um craque que para num jogo amistoso, ou então pensar da “desaponsentação”, quer dizer, dar um tempo e voltar daqui a quatro anos, oque convenhamos é um exercício hercúleo.
A OBSERVAR
O PSDB, que segue sendo um dos cinco maiores partidos do Brasil, tem dado demonstrações de fragilização e pode agravar isso se Geraldo Alckmin não for para o segundo turno. O MDB vai para o segundo turno porque sempre vai, preferencialmente de carona. Não me surpreenderei se o PT, aos frangalhos com os esguichos da Lava Jato, sair mais forte que o PSDB.
VERTICALIÇÃO
Em Santa Catarina guinadas surpreendentes colocaram o PSDB à reboque do MDB mesmo depois de ter “a faca e o queijo na mão” e fazer a tal convenção imexível. Aquele discurso tucano de Joinville teve que ser engolido num movimento igualmente arriscado ao futuro do partido no Estado. É o que observo.
TEM PRAZO
O tucanato da gema, que não é do interesse pontual, pode abrir desinteresse pelo processo eleitoral se a eleição de governador for para o segundo turno e Paulo Bauer não for eleito senador.
PELO MINISTRO
A Associação dos Municípios da Região Carbonífera decidiu abrir mão data de 20 de setembro, quando faria homenagem pelos 50 anos da UNESC, para permitir agenda do Ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, em Criciúma.
BASTIDORES
FALTA PLANO
Sem nenhum demérito (pelo contrário) à visão empresarial dos empreendedores que criaram uma excelente alternativa gastronômica na rua nova ao lado do Parque das Nações, mas salta aos olhos a falta de planejamento do governo. Ao mesmo tempo em que na prefeitura se fala que aquela rua será uma extensão do parque, inclusive com uma passarela para desfiles, a ocupação das margens é feita imediatamente – óbvio - por quem tem visão empresarial e quem sabe alguma informação privilegiada. A rua foi aberta, lançaram asfalto sobre ela, sem que pelo menos se tomasse qualquer cuidado com sarjetas, calçadas e até uma “curva” na ligação com a avenida Centenário. Aquela região merece urgentemente um plano. A iniciativa privada está fazendo a sua parte, mas o governo parece abrindo “picada”.
EM CASA Não é de estranhar a falta de capacidade de o governo planejar se até a área do Parque Centenário, onde está a prefeitura, o retrato é do crescimento desordenado. Não é crítica ao governo atual, apenas. São todos iguais.
MAIS DE UM Criciúma construiu um pavilhão de exposições sem pensar no impacto, por exemplo, do estacionamento. Aliás, a área destinada ao estacionamento foi sendo loteada e doada “ao bel-prazer”.
MAL FEITO Imagino que até a OAB deve estar arrependida (como instituição) por ter aceitado um pedacinho desta área, pois ficou numa rua que: ou não existe ou é sem saída.
ARRUMEM Equipamentos públicos deveriam dar o exemplo e nascerem com plano de ocupação e expansão.
CHIADEIRA Peemedebistas do cerco ao candidato a governador Mauro Mariani andam reclamando, a boca pequena, que a turma da “máquina” não está pegando como em outras campanhas, isto é, a força do aparato governo anda fraca.
MUSEU I Depois da tragédia do incêndio no Museu Nacional abre o alerta aos Museus e pela história. Orleans é diferenciada no quesito “Cultura” com museus importantes e um acervo único no Brasil. Muito antes do incêndio no Rio de Janeiro, o prefeito JK enviou recursos à restauração e revitalização da Casa de Pedra.
MUSEU II A Casa de Pedra abriga toda a documentação da Colônia Grão-Pará, fundada pela Princesa Izabel, filha de Pedro II, para atrair imigrantes europeus trabalhar nas minas da região. Detalhe: A Casa de Pedra guarda documentos históricos da família real, todos bem cuidados em Orleans. Infelizmente no RJ, tudo virou cinzas.
FRASE DO DIA
“O nosso pedido é para que não se coloque as demais instituições no mesmo lugar. Não dá para tratar do mesmo modo instituições diferentes. É preciso pensar, refletir e preservar o que é de cada habitante do município”.
Apelo feito pela reitora da Unesc, Luciane Ceretta, ontem na Câmara de Vereadores de Criciúma, ao defender a manutenção de distribuição das bolsas do artigo 170 que privilegia as instituições comunitárias.














