AUXÍLIO EMERGENCIAL AO FUTEBOL
Texto Willi Backes
Na vida do indivíduo e dos empreendedores, em algum momento e até em muitos momentos, foi e é necessário recorrer a empréstimos financeiros para quitar compromissos vencidos e ou para investimentos pretendidos.
Capitais extras financiam a compra de veículos, de moradia e demais edificações, de máquinas e equipamentos, de terras, vestuário, compra de alimentos e pagamento de folha salarial.
Todo empréstimo pressupõe análise cadastral, garantias pessoais e patrimoniais. Em tempos de inflação e juros baixos – antídotos ao capital especulativo – sobram recursos represados para novos investimentos.
FUTEBOL É OU NÃO É UM NEGÓCIO?
Mesmo que ainda não esteja definitivamente regulamentado a situação e relação fiscal dos clubes de futebol profissional, a gestão das entidades já está obrigado à prudente profissionalização. A citação de “clube-empresa” está entre as mais populares no meio esportivo.
As receitas da Entidade Criciúma Esporte são oriundas do marketing promocional nos uniformes e equipamentos esportivos, dos patrocínios máster, das mensalidades dos associados, venda de produtos, das cotas das competições em que está inserido, dos ingressos dos jogos em seu estádio (em 2020 nulo) e das captações nas formas de convênios com Entidades Públicas.
Resumidamente, os investimentos que o clube faz estão relacionados à folha salarial profissional e demais, construção e manutenção patrimonial, despesas operacionais e formação de jogadores nas equipes da base.
INEXISTE DOAÇÃO E FUNDO PERDIDO NO FUTEBOL.
Ao longo de sua história vitoriosa, o Criciúma EC teve inúmeras pessoas físicas e jurídicas que investiram recursos na Entidade, publicamente ou silenciosamente, sem que houvesse garantias e avais para retorno dos empréstimos realizados. Na sua maioria as devoluções ocorreram, outras estão pendentes moralmente. Nunca foram doações à fundo perdido.
Simultaneamente, muitos dos dirigentes que passaram no clube, além de recursos pessoais e do tempo dedicado à Entidade, comprometeram significativamente a própria atividade profissional extramuros do Estádio Heriberto Hulse. Ninguém saiu mais forte ou mais abastado.
Agora, o que mais se ouve é sobre “investidores” que pretendem capturar a gestão do futebol do Criciúma Esporte Clube. Uma graça, desgraça.
GESTÃO PRÓPRIA, COM GARANTIAS.
O Estatuto do Criciúma EC diz que a gestão da Entidade não pode alienar ou vender bens de sua propriedade. Em três ocasiões não tão distantes no tempo, o principal ônibus do clube foi oferecido como bem em garantia em um processo judicial. Um abnegado diretor/torcedor pagou o valor do bem depositado e repassou para o clube o domínio sobre o equipamento. Em outra ocasião, um empresário emprestou valor para o clube e como não lhe foi devolvido na data acordada, penhorou a área do estacionamento interno defronte do estádio HH. Devolvido os valores devidos, o estacionamento voltou para escritura territorial do Clube. Numa outra discórdia jurídica, até os postes e luminárias do estádio foram pra penhora.
O Criciúma Esporte Clube possui CNPJ regular e limpo. Tem patrimônio territorial e edificações com elevado valor em qualquer avaliação que se faça. Se o problema vigente é o do capital de giro, investimentos iniciais no futebol em 2021, pois busque-se junto aos bancos regulares o valor necessário e pensado na previsão orçamentária do ano. Não faltarão garantias.
AVENTURAS ESPECULATIVAS DESNECESSÁRIAS.
No sul do Estado, algumas dezenas de empresas geram e faturam mais de 1 milhão de reais por mês, ou algo como 10 milhões por ano.
É inadmissível que um clube com gestão empresarial, com imenso patrimônio físico e institucional existente, centenas ou milhares de associados, mercados consumidores conhecidos e apaixonados, com muitas participações diretivas e apoiadoras, não consiga igual feito.
As potencialidades econômicas imediatas e futuras do Criciúma EC são percebidas pelos tais investidores. Bem mais atentos que os atuais mandatários filosóficos do Entidade.
Incrivelmente o que o clube deveria ter como ordem unida, que é o da política de formação de jogadores de futebol, nada é dito, nada é refletido, nada é feito. Formar jogadores de futebol nas equipes de base deveria ser “Programa de Governo do Clube”, próxima e futura receita, independentemente do desproposito mandatário ou locador transitório de plantão.
Reportagem: Redação Eldorado
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